A intensa dor que sinto
furta-me os próprios pensamentos
Encontro conforto na forte luz que aflige minha visão
e no som misterioso que ouço bem ao longe
Sem saber se tudo é real ou mero delírio,
entrego-me ao pranto e tento proteger-me do frio;
suspeitando que até me faça bem
Concentro-me unicamente nesta dor enorme,
sem saber se membros ainda me restam
Não sinto nenhum deles!
Só tenho uma certeza:
algo importante falta em meu corpo
e foi retirado sem anestesia
Ouço, em algum lugar, pessoas conversado
Vozes estranhas em um idioma que desconheço
De tempos em tempos sinto a presença de alguém junto a mim
Mas sem rosto, parece um espírito
Por que não fui morto?
Por que submeter um ser a algo tão cruel e degradante?
Talvez tenha sido deixado aqui para padecer
mas tive um breve lampejo de sobrevida!
Aos poucos recobro a consciência
Mas a dor.....
somos não mais que a dor e eu!
(Marcelo Henrique)
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