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sexta-feira, 27 de junho de 2014

Tráfico de órgãos


Não sei onde estou, tampouco quem sou!
A intensa dor que sinto
furta-me os próprios pensamentos
Encontro conforto na forte luz que aflige minha visão
e no som misterioso que ouço bem ao longe
Sem saber se tudo é real ou mero delírio,
entrego-me ao pranto e tento proteger-me do frio;
suspeitando que até me faça bem

Concentro-me unicamente nesta dor enorme,

sem saber se membros ainda me restam
Não sinto nenhum deles!
Só tenho uma certeza:
algo importante falta em meu corpo
e foi retirado sem anestesia

Ouço, em algum lugar, pessoas conversado

Vozes estranhas em um idioma que desconheço
De tempos em tempos sinto a presença de alguém junto a mim
Mas sem rosto, parece um espírito

Por que não fui morto?

Por que submeter um ser a algo tão cruel e degradante?
Talvez tenha sido deixado aqui para padecer
mas tive um breve lampejo de sobrevida!

Aos poucos recobro a consciência

Mas a dor.....
somos não mais que a dor e eu!

(Marcelo Henrique)


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