Queria ser um astronauta
Pra fugir de toda dor
Lançando-me sem temor
No surdo espaço do nada
Um mendigo quase esquecido
Rogando não ser percebido
Embora lhe falte o pão
Um quadro antigo na sala
Do qual já não mais se fala
Lançado na solidão
Aquele relógio quebrado
Sem uso e abandonado
No fundo de um escuro porão
A luz de fora da casa
E que não fôra apagada
Num dia de forte verão
Queria ser a alegria
No luto de minha família
Contando os que já se foram
Meu pai, meu irmão, minha tia
Espero revê-los ainda
Ao menos por um triste dia
(Marcelo Henrique)
Nenhum comentário:
Postar um comentário