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quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Ditadura do "Direito"



(Original...)

Quão fácil é diferenciar o bom profissional do profissional comum. O bom profissional, em geral, é vocacionado, desde pequeno diz: "quero ser isto, ou aquilo!". O comum sequer sabe dizer porque escolheu esta ou aquela profissão.

Algo curioso (e perigoso) porém, tem acontecido no Brasil: Os "super salários" de juízes, promotores de justiça, defensores públicos, procuradores autárquicos... têm atraído toda espécie de pessoa para o ramo do Direito. A vocação fora deixada em segundo plano.

Até trabalhadores bem estabelecidos em suas profissões, que chegaram ao auge de suas carreiras, têm visto no Direito a única possibilidade de majorarem seus ganhos em detrimento do abandono de seus antigos ofícios. Pais com filhos indecisos sobre o futuro, não raro incentivam: "preste vestibular para Direito!".

Ao que tudo indica, o "homem do subsolo" (personagem do escritor russo Dostoiévski); que não vê nenhum prazer no trabalho, mas o faz única e exclusivamente pelo dinheiro; é real!... Habita em cada um de nós.

(Marcelo Henrique)

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Sono de pedreiro

Que todo serviço é digno, que Deus ajuda quem cedo madruga, que todo trabalho é abençoado... todos sabemos. Mas o que dizer do merecido descanso?

Assim como o melhor tempero da comida é a fome, o maior motivo para o descanso é o cansaço! E disso, os pedreiros sabem muito bem.

Quão penoso é passar horas ao sol escaldante, e com pesos gigantes, segurar na mão desocupada, uma enorme colher desajeitada, que constrói moradias mas no almoço é abandonada.

Porém ao meio-dia, depois da labuta e do simples pirão, nem príncipes ou reis dormiram tão bem, mesmo no chão.

(Marcelo Henrique)

Festa da Democracia

Ridículo é o fato de uma "Democracia" obrigar o cidadão a votar. Mas, será que existe algo de bom nessa compulsão?

Claro que sim! É dia de festa! Dia de reencontrar a mãe, o pai e aqueles parentes esquecidos no interior; os quais só vemos de dois em dois anos, a muito custo, em decorrência das eleições. Dia de voltar àquele Bairro antigo em que fomos criados e rever nossos amigos de infância; que assim como nós, nunca têm tempo pra mudar a seção de votação para um lugar mais próximo de suas novas casa. E, de quebra, ainda ferir a Lei Seca, tomando aquela cervejinha na "taberna" que abriu!

E viva a "Democracia" brasileira! Viva o Brasil!!!

(Marcelo Henrique)

Hoje durmo no sofá

Em nosso primeiro contato com a disciplina Física, aprendemos que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. Algumas mulheres porém, parece que faltaram justo a primeira aula.

É muito romântico dormir juntinhos, de mãozinhas dadas ou no colinho do companheiro, não acham? Mas saibam, mulheres, que aquele ator de novela sorri porque sabe que a cena do quarto já vai terminar! Mas por quê?


Porque cabeça pesa, faz o braço adormecer; o calor aumenta, mesmo com o ar condicionado no 16; homens precisam virar-se de um lado para o outro pra dissiparem o ronco; e o pior de tudo: não resistem ao desafio de tentar acompanhar a frequência respiratória acelerada de vocês, até desmaiarem!


Fica a dica, em prol de uma melhor noite de sono aos homens. Ou o protesto para que acabem-se as novelas...

(Marcelo Henrique)

Triste geração



Bendito é o fumo




E a noção de lealdade?




quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Por não querer ser velado


Por não querer ser velado
Gastei minha vida
Sonhando em um dia
Não ser enterrado

Por não querer ser velado
Morrer não queria
Assim de repente
Num dia nublado

Por não querer ser velado
Fugir eu iria
Se muito doente
Ou desenganado

Por não querer ser velado
Inveja eu teria
Do triste indigente
Que dorme calado

Por não querer ser velado
Quero ficar velho
Não ser esquecido
Mas abandonado

Por não querer ser velado
Feliz eu seria
Se o mar me tragasse
Pro mundo gelado

Por não querer ser velado
Queria um bilhete
Daquele avião
Não localizado

Por não querer ser velado
Seria o demente
Voando em foguete
Aqui fabricado

(Marcelo Henrique)


Meu desejo


Desejo ser visto
Mas não ser notado

Caminhar pelo mundo
E não ser julgado

Não ser esquecido
Também não lembrado

Gritar muito alto
Ser ignorado

Errar o caminho
Voltar sem cuidado

No olhar dum amigo
Não ter um contato

Dar voz de prisão
Ser desacatado

Furtar um bombom
Depois ser cobrado

Desejar um bom dia
Ser mal educado

Andar vacilando
Mas não ser roubado

Ter filhos pequenos
Dormir sossegado

Viver muitos dias
Morrer enterrado

(Marcelo Henrique)

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Quando você se for


Quando você se for
Serei a flor transparente
Sem cheiro nem cor
Que dura pra sempre

Quando você se for
Serei a mãe que espera
Um filho da guerra
Que não se ganhou

Quando você se for
Serei o dia mais belo
De um longo verão
Aos olhos do cego

Quando você se for
Serei o beijo carinhoso
Na testa do esposo
Que cedo se foi

Quando você se for
Serei a luva de seda
Na mão da princesa
Que o posto deixou

Quando você se for
Serei eu mesmo 
Sem sonho nem dor
Como no princípio

(Marcelo Henrique)

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Ao menos por um dia


Queria ser um astronauta
Pra fugir de toda dor
Lançando-me sem temor
No surdo espaço do nada

Um mendigo quase esquecido
Rogando não ser percebido
Embora lhe falte o pão

Um quadro antigo na sala
Do qual já não mais se fala
Lançado na solidão

Aquele relógio quebrado
Sem uso e abandonado
No fundo de um escuro porão

A luz de fora da casa
E que não fôra apagada
Num dia de forte verão

Queria ser a alegria
No luto de minha família
Contando os que já se foram
Meu pai, meu irmão, minha tia
Espero revê-los ainda
Ao menos por um triste dia

(Marcelo Henrique)

Se minha vida parasse



Se minha vida parasse
Rogaria ao céu que assim continuasse
O sofrimento de outrora não cessaria
Mas a dor no peito não aumentaria
Se minha vida parasse

Quanta dor, quanta agonia
Passo horas a maldizer o dia
Fiz da noite meu refúgio
Mas feliz o dia me faria
Se minha vida parasse

Embora não haja saída
A morte não desejo ainda
Meus sonhos não se tornariam realidade
Mas minha utopia se concretizaria
Se minha vida parasse

Se minha vida parasse
Os anos eu não contaria
A chuva não me molharia
No espelho, não mais eu me veria
Meu pranto também não se ouviria
Mas a dor de outrora acabaria
Pois feliz assim eu morreria
Se minha vida parasse

(Marcelo Henrique)

Tráfico de órgãos


Não sei onde estou, tampouco quem sou!
A intensa dor que sinto
furta-me os próprios pensamentos
Encontro conforto na forte luz que aflige minha visão
e no som misterioso que ouço bem ao longe
Sem saber se tudo é real ou mero delírio,
entrego-me ao pranto e tento proteger-me do frio;
suspeitando que até me faça bem

Concentro-me unicamente nesta dor enorme,

sem saber se membros ainda me restam
Não sinto nenhum deles!
Só tenho uma certeza:
algo importante falta em meu corpo
e foi retirado sem anestesia

Ouço, em algum lugar, pessoas conversado

Vozes estranhas em um idioma que desconheço
De tempos em tempos sinto a presença de alguém junto a mim
Mas sem rosto, parece um espírito

Por que não fui morto?

Por que submeter um ser a algo tão cruel e degradante?
Talvez tenha sido deixado aqui para padecer
mas tive um breve lampejo de sobrevida!

Aos poucos recobro a consciência

Mas a dor.....
somos não mais que a dor e eu!

(Marcelo Henrique)