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terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Sonhando...

Na ocasião de sua partida, Raimundo fora conduzido, em sonho, à presença do Criador. Sabia bem do que se tratava, pois não podia ver a si, tampouco sentir ou tocar seus próprios membros. Lembrava ainda que, minutos atrás, fora levado ao hospital por conta de fortes dores no peito; das quais, agora, só tinha lembranças.

Podendo ver tudo ao seu redor, percebia uma enorme claridade em todas as direções, porém não havia limite do espaço em que supunha estar.

Olhando em volta, percebeu que, ao longe, alguém se aproximava. Sentia-se inseguro por estar sozinho, pois a pouco, tinha a presença de seus filhos que, mesmo chorando, seguravam com força suas mãos e diziam-lhe que tudo acabaria bem, como ele próprio os havia ensinado.

No momento em que não mais estava só, pôde ver de perto àquele que, segundos atrás, dirigia-se ao seu encontro. Ficou confuso quando percebeu que tal ser parecia-se muito consigo: tinha o mesmo rosto, a mesma altura e usava a mesma roupa que recordava estar quando passou mal.

- Sabes quem sou? - Perguntou tal ser, com a voz que Raimundo julgava pertencer somente a si.

- Não sei! - Respondeu Raimundo, assustado por estar falando consigo mesmo.

- Sou o Criador! – Disse ele a Raimundo.

- E por que te pareces comigo? - Retrucou Raimundo sem entender.

- Porque te fiz à minha imagem e semelhança! A todos assim criei. - Explicou-lhe.

- E por que estou aqui? - Indagou Raimundo.

- Porque todos retornam a mim!

- Mas por que meus filhos não estão mais comigo?

- Porque só quem partiu pode voltar! – Respondeu-lhe pacientemente.

- E pra onde irei daqui? – Perguntou Raimundo com enorme preocupação.

- Venha e verás! Responderei a todos os teus questionamentos e te mostrarei a origem de tudo no seu devido tempo.

Mostrou-lhe então a origem de todas as coisas e como tudo foi criado: os universos, as galáxias, os planetas, a terra e toda forma de vida que nela habita. Nada passou despercebido, e tudo foi-lhe explicado de maneira simples, para que pudesse entender. Explicou-lhe também o motivo de haver tanto sofrimento no mundo, por que as pessoas morrem e para onde vão depois de sua partida. Ao que Raimundo ficou muito maravilhado e grato por tamanha bondade de um ser tão poderoso e de inteligência muito superior.


Raimundo passou então a, gradativamente, mergulhar em profundo sono. E enquanto via a si mesmo desaparecer de diante de seus olhos, desejava apenas poder contar a seus filhos toda maravilha que houvera testemunhado naquele curto período de tempo, para que pudessem viver o resto de suas vidas mais e melhor, praticando o bem e com a certeza da existência de um bom criador. Momento então em que, no “mundo real”, o óbito de Raimundo fora oficialmente declarado.

(Marcelo Henrique)

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