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terça-feira, 12 de janeiro de 2016

"...um ano, três meses e uns dias"

Circula nos noticiários, inclusive em rede nacional, o "causo" do tal Cidinho di (isso mesmo "di") Marituba. Detento que faz uso de smartphone dentro do presídio de Americano, com atualização diária de seu perfil na mais famosa rede social, e com... sei lá, mil amigos adicionados!

Citando um trecho da letra da música "Diário de um detento" dos Racionais MC's (fato que passou despercebido pela maioria dos jornalistas, mas não por um homem nascido e criado no "subsolo", como eu), ele posta em seu perfil: "faltam só um ano, três meses e uns dias" para a tão almejada liberdade!

Sinceramente me questiono, e com muita preocupação: de que tipo de liberdade um homem desses sente saudade, além da que já possui?

Espero que não seja a de assaltar-nos com uma Ponto 40 em punho, humilhar-nos e ainda dar-nos um tiro na mão, pelo abuso de termos olhado em seus olhos antes de lhe entregado tudo que possuíamos...

(Marcelo Henrique)

Sonhando...

Na ocasião de sua partida, Raimundo fora conduzido, em sonho, à presença do Criador. Sabia bem do que se tratava, pois não podia ver a si, tampouco sentir ou tocar seus próprios membros. Lembrava ainda que, minutos atrás, fora levado ao hospital por conta de fortes dores no peito; das quais, agora, só tinha lembranças.

Podendo ver tudo ao seu redor, percebia uma enorme claridade em todas as direções, porém não havia limite do espaço em que supunha estar.

Olhando em volta, percebeu que, ao longe, alguém se aproximava. Sentia-se inseguro por estar sozinho, pois a pouco, tinha a presença de seus filhos que, mesmo chorando, seguravam com força suas mãos e diziam-lhe que tudo acabaria bem, como ele próprio os havia ensinado.

No momento em que não mais estava só, pôde ver de perto àquele que, segundos atrás, dirigia-se ao seu encontro. Ficou confuso quando percebeu que tal ser parecia-se muito consigo: tinha o mesmo rosto, a mesma altura e usava a mesma roupa que recordava estar quando passou mal.

- Sabes quem sou? - Perguntou tal ser, com a voz que Raimundo julgava pertencer somente a si.

- Não sei! - Respondeu Raimundo, assustado por estar falando consigo mesmo.

- Sou o Criador! – Disse ele a Raimundo.

- E por que te pareces comigo? - Retrucou Raimundo sem entender.

- Porque te fiz à minha imagem e semelhança! A todos assim criei. - Explicou-lhe.

- E por que estou aqui? - Indagou Raimundo.

- Porque todos retornam a mim!

- Mas por que meus filhos não estão mais comigo?

- Porque só quem partiu pode voltar! – Respondeu-lhe pacientemente.

- E pra onde irei daqui? – Perguntou Raimundo com enorme preocupação.

- Venha e verás! Responderei a todos os teus questionamentos e te mostrarei a origem de tudo no seu devido tempo.

Mostrou-lhe então a origem de todas as coisas e como tudo foi criado: os universos, as galáxias, os planetas, a terra e toda forma de vida que nela habita. Nada passou despercebido, e tudo foi-lhe explicado de maneira simples, para que pudesse entender. Explicou-lhe também o motivo de haver tanto sofrimento no mundo, por que as pessoas morrem e para onde vão depois de sua partida. Ao que Raimundo ficou muito maravilhado e grato por tamanha bondade de um ser tão poderoso e de inteligência muito superior.


Raimundo passou então a, gradativamente, mergulhar em profundo sono. E enquanto via a si mesmo desaparecer de diante de seus olhos, desejava apenas poder contar a seus filhos toda maravilha que houvera testemunhado naquele curto período de tempo, para que pudessem viver o resto de suas vidas mais e melhor, praticando o bem e com a certeza da existência de um bom criador. Momento então em que, no “mundo real”, o óbito de Raimundo fora oficialmente declarado.

(Marcelo Henrique)

Do alto do chão



quinta-feira, 11 de junho de 2015

"Educadores de Trânsito"



À Angelina

Agora você dorme
E repousa
Como quem há de acordar

Agora você se foi
E descansa
Para nunca mais voltar

Agora os dias são tristes
Na Terra
Pois de terra o chão te cobrirá

Seguirei sozinho e distante
E tão longe
Que nem o vento há de alcançar

Serás rainha no céu
E com anjos
Seguirás a cavalgar

Serei quem sou, mas tão triste
Que nem anjos
Ousarão se aproximar

(Marcelo Henrique)

Rotina Maldita




quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Ditadura do "Direito"



(Original...)

Quão fácil é diferenciar o bom profissional do profissional comum. O bom profissional, em geral, é vocacionado, desde pequeno diz: "quero ser isto, ou aquilo!". O comum sequer sabe dizer porque escolheu esta ou aquela profissão.

Algo curioso (e perigoso) porém, tem acontecido no Brasil: Os "super salários" de juízes, promotores de justiça, defensores públicos, procuradores autárquicos... têm atraído toda espécie de pessoa para o ramo do Direito. A vocação fora deixada em segundo plano.

Até trabalhadores bem estabelecidos em suas profissões, que chegaram ao auge de suas carreiras, têm visto no Direito a única possibilidade de majorarem seus ganhos em detrimento do abandono de seus antigos ofícios. Pais com filhos indecisos sobre o futuro, não raro incentivam: "preste vestibular para Direito!".

Ao que tudo indica, o "homem do subsolo" (personagem do escritor russo Dostoiévski); que não vê nenhum prazer no trabalho, mas o faz única e exclusivamente pelo dinheiro; é real!... Habita em cada um de nós.

(Marcelo Henrique)